terça-feira, 20 de abril de 2010

Colecionando tombos

Há quem colecione moedas, selos, amores. Eu coleciono tombos. Os meus e os alheios. É preciso ser original, minha gente!

Quem me conhece bem, ou sabe dos meus tombos ou já teve a sorte de presenciar algum deles. Não seio que é isso de cair, mas caio com uma frequência maior que a maioria dos seres que vivem em perfeito equilíbrio no (e com o) universo. Quando vejo um homem bonito, uma situação que me tira do salto ou uma vitrine irresistível, rezo para nossa senhora da bicicletinha pedindo equilíbrio. Mas ela falhou comigo. Falhou feio e no meio de transporte que faz parte do seu nome.

Ontem eu alegrei um pedreiro que voltava do trabalho. Já era início da noite, cheguei em casa mais cedo, estava calor e resolvi tirar a magrela para um passeio. Há uma avenida ainda em construção pela qual gosto de passar. Fazia cerca de 2 semanas que não pedalava para o lado de lá. Quando cheguei aos 200 metros que faltavam para a conclusão da obra, percebi que foi uma péssima escolha. A futura rua estava cheia de pedras gigantescas, aquelas que vão antes da camada de asfalto. Vagarosamente fui trilhando meu caminho até que tive a infeliz ideia de pensar: "Putz, ou desço da bike ou caio". Mal terminei e o universo já conspirava a favor dos meus pensamentos. Quando percebi estava no chão. Se eu soubesse que o universo estava tão sincronizado comigo, teria me imaginado milionária. A primeira atitude, é claro, foi olhar à minha volta. Havia um pedreiro vindo do trabalho, também ele em sua magrela. Quando eu já estava em pé e ele provavelmente conseguiu encontrar no seu cérebro o comando que segurava o riso, perguntou: "Machucou moça?". "Não, moço. Obrigada", respondi rindo de mim mesma. "Não está fácil andar por aqui mesmo. Essa prefeitura que começa as coisas e não termina...", disse ele, seguindo equilibradamente o seu caminho entre as pedras. Eu limpei o que pude da terra e graxa que ficou na minha roupa, pernas e braços e segui caminho. Não cai de propósito, mas agora que os hematomas já estão surgindo, dedico meu tombo àquele trabalhador. Ele que todos os dias deve chegar em casa cansado, ontem teve uma história engraçada para contar. Deve ter feito a família toda chorar de rir narrando a saga da gordinha vestida de esportista que não passou do chão, embora tenha tentado bravamente.

Quando ainda estava no colégio, eu estava matando educação física com meus amigos, sentada na quadra da escola. De repente, uma senhora gordinha, vestida de cor-de-rosa, que todos os dias passava por ali caminhando, inexplicavelmente, jogou-se de frente no chão. Ela caiu reta, como se não quisesse impedir o que ia acontecer. O único menino da roda gritou: "Madeeeeiiiiirrrraaaaaa". Pobrezinha! Nós brigamos com ele, perguntamos se ela havia se machucado. Ela seguiu o seu caminho envergonhada e quando virou a esquina gargalhamos até o estômago doer.

Quando eu estava na faculdade, eu tinha uma aluna particular de inglês em casa, fora as turmas da escola, que ficava a quatro ou cinco quadras da minha casa. Um dia marcamos uma aula com 20 minutos de intervalo entre a minha última aula na escola e a dela, em minha casa. O tempo era suficiente, mas eu não havia lavado a louça e precisava andar rápido. Escolhi uma rua menos movimentada e que não fazia parte do meu trajeto habitual. Estava com as mãos cheias de livros. Uma calçada linda e sem degraus à minha frente. Três estudantes do outro lado da rua andavam conversando. Até que a calçada linda transformou-se num abismo grande o suficiente para que meu pé entrasse, encaixasse e eu caísse. Serviço de pedreiro preguiçoso! Em vez de colocar um cano e cobrir com cimento para que a água da chuva escorresse para a rua, o sem vergonha moldou a calçada como um cano cortado ao meio --------u---------. Caí como a mulher de cor-de-rosa. Os estudantes riram. Juntei meus livros e prossegui. Minha aluna era arquieteta da prefeitura e ao ver o meu braço esfolado perguntou o que aconteceu. Eu contei a história e ela disse que iria averiguar, que aquilo era perigoso, que a calçada ficava ao lado de uma escola - a escola dos filhos dela. Nunca mais passei por lá para conferir o resultado.

Também já caí na rampa do cinema da faculdade perto dos meus colegas - felizmente foi no quarto ano e já tínhamos histórias mais embaraçosas do que aquele tombo, caso contrário, desistiria do curso pela vergonha. O último desabamento antes da bike foi no Natal. Caí da escada de casa, fiquei com o bumbum tão roxo que não pude usar roupa clara por três semanas. Há um ano, mais ou menos, usando meu novo tamanco de salto anabela e super alto, chique de doer, eu caí ao atravessar a linha do trem que passa pelo centro desta cidade e que me causa arrepios desde então.

Nossa senhora da bicicletinha também falhou comigo quando eu era criança. Fazia pouco tempo que eu tinha ganho minha Ceci, rosa, com cestinha. Eu deveria ter mais ou menos 9 anos. Eu morava numa descida, a última casa da rua. Minha diversão era subir até a esquina oposta, descer pedalando até a metade da rua para ganhar mais velocidade e frear quase em frente ao portão, que estaria aberto e eu entraria correndo, parando pouco antes de bater no carro que estava na garagem. Certa feita, depois de já ter repetido o trajeto umas 10 vezes, ao chegar na divisa da casa da vizinha onde eu freava, o breque falhou. Em vez de segurar firme o guidão, virar a esquina e esperar o embalo acabar, ergui as duas mãos, segurei a cabeça e gritei lindamente desesperada: "Manheeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee". Ela estava lavando roupa, saiu correndo, estava de avental. Meu pai estava na sala. Também correu. quando chegaram, por sorte ou azar, a bicicleta sozinha foi até a cerca e se encaixou. Claro que isso não foi sutilmente. Minha testa também estava grudada na cerca. Fiquei traumatizada e durante o restante da semana não corri na descida. Depois que o freio ganhou minha confiança novamente e que eu já tinha um plano B, perdi as contas de quantas vezes repeti as pedaladas radicais.

Outra vez eu, minha irmã e prima estavamos em casa vendo filmes. Vale salientar que tínhamos entre 18 e 25 anos. Não sei porque, no intervalo entre um filme e outro eu saí correndo atrás da minha irmã. Ela viu um frasco de veneno, pegou, apontou para mim e fez "tchiiiii" com a boca. Eu caí como uma mosca. Dois dias depois que elas pararam de rir, disseram que foi em câmera lenta, coisa bonita de se ver. Até hoje as duas ainda riem sozinhas na cama antes de dormir quando lembram da história.

No ano passado, minha mãe foi descer a escada já mencionada. Mas ela estava com uma enorme bacia com roupas para pendurar no varal. Quando ainda faltavam dois degraus, ela achou que a escada havia terminado e saiu caminhando pelo ar. Largou a roupa ali mesmo, subiu engatinhando, encontrou o telefone e ligou para o meu pai que estava trabalhando. "Caí da escada", disse ela, chorandinho. "Machucou? Se quebrou?", ele perguntou preocupado. "Acho que não", respondeu ela. Enxugou as lágrimas de susto, levantou e foi pendurar a roupa. Hoje em dia só leva roupa para o varal em baldes e com uma mão livre para segurar no corrimão (que sempre esteve ali).

Duvido que alguém tenha lido tudo isso. Um texto muito longo e inútil, que como eu, em breve cairá no esquecimento...

Eu sei que tudo isso nada mais é do que uma provação para medir o tamanho da minha fé. Então, para provar que ela é inabalável, repito: "Minha nossa senhora da bicicletinha, dai-me equilíbrio".

13 fizeram a Carol feliz...:

Carol disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Eu li tudo!!
Ta mto engraçado...

É muito tombo pra uma pessoa so.. rsrs
Nossa.. eu ja nem lembro a ultima vez que cai.. ja deve fazer mto tpo.. rsrs
O bom é que vc sempre tem historias pra contar..

Beijos

Graci Polak disse...

Haha...

Li tudo, também.

Muito engraçado e graças, muitas graças para a nossa senhora da bicicletinha, rsrs

Bjoo

DANIZINHA disse...

Não vou ser maliciosa e dizer "cai"..."cai na desgraça de ler tudo" kkk
Imagina...foi divertido. Eu nunca presenciei nenhum tombo seu. Não sabia dessa sua tendência.
Tombo de hoje, post de amanhã.
E o pedreiro foi gente fina, hein?
Agora..oq é mais fácil de acontecer e também dá uma vergonha, são os tropeços..."nóis tropica mas não cai"
beijosssssssss

Ran Omelete disse...

Eu não li tudo. Fiquei alternando os parágrafos, um sim, um não, e por aí vai. Achei que alguém aqui tinha de lhe dizer a verdade.

E ainda confesso que me detive por alguns minutos, na parte "fiquei com o bumbum tão roxo que..." fiquei imaginando coisas...

Déia disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Eu tb não sirvo pra fazer estilo fatal... sou hiper desastrada kkkk

bj

Dani Brito disse...

ri horas do : MADEEEEEIRA! kkkk..muito bom. Pensa positivo, pelo menos vc tinha o pedreiro lá pra te dar um apoio moral! Eu já me esfolei de bicicleta em frente a um boteco lo-ta-do de tiozinhos barrigudos quando eu tinha 12 anos, que ficaram rindo de mim e ainda um infeliz disse: "Tem que aprender a dirigir antes" ¬¬ .. Eu nao consigo conter gargalhadas perante tombos meus e os alheios...

soumenina disse...

Amei, ri horrores aqui!

meus instantes e momentos disse...

passando para te desejar um feliz final de semana.
gosto de voltar aqui...
muito bom o post.

bjs
Maurizio

Walfaby disse...

Dorei o blog.....ja estou seguindo...tem uma história parecida com a que publiquei hj....veja lá.
Parabéns pelo blog

http://www.cagadadeurubu.blogspot.com/

Dialogos de Idiota by Walfaby

Fabrício Santiago disse...

certamente escrever é a nossa terapia.
obrigado por ter prestigiado a Narroterapia.
bjs

Ronaldo disse...

heheheh gostei desse texto, vou olhar o resto.

já estou seguindo voce tambem

bjs e bom final de semana

José disse...

Olá,
Vim agradecer a tua visita ao meu
cantinho, será sempre um prazer recebela lá,é uma das qualidades que eu mais admiro no ser humano uma é o setido de humor, e aqui há uma pessoa que o tem.

beijinho,
José.

Daniel Savio disse...

Nossa, você tem bastante história com a tua bicicleta, até me lembro do dia que saiu para passear a virou a musa da corrida da bicicleta...

Hua, kkk, ha, ha, mas tome cuida menina.

Fique com Deus, menina Carol Lina.
Um abraço.