domingo, 26 de setembro de 2010

Se eu soubesse...

Outro dia me acidentei de carro. Não me machuquei, nem minha irmã. Pela inconsequência de um idiota que ultrapassava numa curva, passei um susto enorme quando o bolo do meu aniversário, que tinha sido na véspera, ainda estava na geladeira. Deus deve ter achado esquisito nos matar assim, depois do parabéns.

Eram 11h da manhã. Uma manhã bonita, ensolarada, tranquila. Pista simples, sem acostamento... Quando lembro, imagino uma criança brincando de carrinho, desviando um do outro por milímetros. Lembro de passar retrovisor com retrovisor, depois de quase entrar embaixo do caminhão, descer o barranco e não acreditar que havia conseguido.
Tremi e chorei descontroladamente ao ver que minha irmã estava inteira e que nada de grave havia acontecido. O carro que provocou o acidente não parou. Seguiu fazendo cagada com medo de ter a placa anotada.

Depois do acidente vêm a série de pensamentos que começam com “E se...? ”

E se eu tivesse morrido? Eu morreria insatisfeita por não ter dito a um amigo que o que eu sinto é muito mais que amizade. Morreria com a sensação de que não fiz tudo no trabalho, com a minha família, com meus amigos.
E se minha irmã tivesse morrido? Nem consigo imaginar. Apesar de não ter sido minha a falta, me sentiria culpada para sempre.
E se nós duas tivéssemos morrido? Meus pais continuariam vivendo?
E se em vez de cair naquele lugar eu tivesse caído dois metros à frente, onde o barranco virava um buraco? O carro teria capotado? O cinto teria adiantado?
E se houvesse uma árvore na minha frente?
E se eu não tivesse conseguido desviar?
E se mais um carro estivesse atrás de mim?

Tantos “e se...” que só posso mesmo é comemorar porque nenhum deles aconteceu. Todas essas possibilidades me fazem perceber que a vida é uma só, que seriam muitas as dimensões necessárias para que seguíssemos todas as conseqüências de um ato.

Se eu soubesse que ia morrer hoje, ligaria para dizer o que sinto, perdoaria meus próprios erros.
Se eu soubesse que ia morrer hoje, sairia com os amigos, comeria sem remorso as coisas que mais gosto.
Se eu soubesse que ia morrer hoje, deixaria o trabalho sem fazer, a louça por lavar.
Se eu soubesse que ia morrer hoje, chamaria alguém para dançar.
Se eu soubesse que ia morrer hoje, usaria minha roupa mais bonita.

Pensei em tudo o que gostaria de fazer se eu soubesse que ia morrer hoje. Mas a gente sempre acha que ainda há tempo e adiamos encontros, decisões, confissões.

Tenho medo de não conseguir cumprir minhas metas antes de morrer. O que mais me assusta é que todos lamentariam, mas a vida segue. A vida segue e não seguiria, pois essa é a regra. Todos voltariam ao trabalho e talvez até rezassem por mim.

Mas a coragem de fazer o que eu faria se soubesse que ia morrer passou tão rápido.

Por isso estou em casa ouvindo a chuva. Por isso, não chamei ninguém para dançar. Por isso dispenso a sobremesa. Por isso lavarei a louça. Por isso adiarei um pouco mais tudo aquilo que eu não deveria deixar de fazer hoje.

Mas, confesso, adio com a consciência pesada, afinal, já disse o poeta, é preciso amar como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há...

8 fizeram a Carol feliz...:

Carolina Filipaki disse...

Bem bem bem na verdade, acho que se eu soubesse que ia morrer, sentava, chorava e rezava para não morrer! heheh

Maris Morgenstern disse...

quase nao escrevi nada.
honestamente não tenho palavras pra dizer. Nao sei se falo de como o mundo teria perdido, ou de como estou feliz de nenhum e se ter acontecido, e de que também nesse momento queria muito dizer a um amigo q talvez eu o ame.
Pensei em fechar a pagina e voltar quando tivesse algo pra dizer,
Mas as ultimas linhas me lembraram que as vezes é preciso dizer, mesmo que o que se diga nao sejam as palavras mais perfeitas.
Carol, eu choraria horrores, primeiro pq ia ser a ultima a saber e nao ia poder fazer fiasco no seu velório, depois por ter chorado por ser a ultima a saber, e por fim, choraria por semanas a fio a pessoa maravilhosa q vc é, e o quanto sinto q foi uma dádiva da vida ter te conhecido, e o qto nosso contato q o tempo, a distancia e a rotina tronsformou em internetístico ainda assim é importantissimo pra mim.
Gosto de pensar que um dia, qdo vc estiver no Jô eu vou chorar orgulhosa na frente da tv, como o Beatle que saiu um m6es antes da banda estourar, mas que mesmo assim sabe ser parte daquela história, é eu, que fugi quando tive que fugir, e guardo com orgulho a lembrança de ter tido vc como parte daqueles dias. E hoje desses nossos blogs.

Querida, amooo vc tá.

Isadora disse...

Carolina, acabei de ler e fiquei até meio assim. Pensar que tudo pode simplesmente parar pela irresponsabilidade de alguns.
Ainda bem e felizmente que nada aconteceu com vocês.
Um beijo

Daniel Savio disse...

Uia, primeiro, relaxa porque não é uma situação para poucos uma experiência de quase acidente (e nem preciso dizer sobre a necessidade do sinto)...

Penso que você continuaria a viver, mesmo que realize todas as coisas que planejou, mas penso que as mais importantes tu tenha realizado, mesmo que não tenha se dado conta.

Trate de se cuidar menina =P

Fique com Deus, menina Carolina Filipaki.
Um abraço.

João disse...

Uau!! Que coisa!!!
Ainda bem que não passou de um susto!
O que revolta é essa inconsequência alheia sempre a andar por aí.
Bjo e se cuida!

Déia disse...

Que absurdo!! E o outro ainda fugiu... será que não tem coração, consciencia???? não né?!
Graças a Deus os "e se" não aconteceram...

Agora é viver, da melhor forma possível!!! E fazer tudo q tem vontade!

bj

Regina disse...

Seguindo essa linha, vou falar enquanto posso: Carol, amo vc!!! E tô morrendo de saudades!! Bjos

Carol disse...

Nossa.. que susto hein Carol! O pior é o cara que não parou.. que absurdo.
E depois disso a gente ainda tem que agradecer por não ter acontecido nada, por ter mais uma chance de viver e fazer o que ficou pendente.

Beijos e uma otima semana