terça-feira, 21 de julho de 2020

As lições do crochê


Eu fiz um gorro de crochê, pequeno, demorado e, aos meus olhos, lindo.
Ao tecê-lo entendi que um grande desafio exige paciência e que um trabalho pequeno pode ser um desafio colossal para uma aprendiz iniciante.
Entendi que a primeira experiência nem sempre é perfeita e, embora o resultado seja agradável, o percurso não é totalmente prazeroso.
Errei diversas vezes. Erros grotescos, erros pequenos, erros por falta de atenção. Alguns deles eu pude consertar sem maiores consequências, mas entendi também que às vezes é preciso recomeçar, trocar a agulha, o fio, repensar. Eu quis desistir e me irritei.
Eu mexia o fio infinitamente para lá e para cá. Passava-o por cima, por baixo, desmanchava os nós, mas o trabalho não rendia. A cada carreira finalizada, o media, na esperança de atingir o tamanho ideal. Então, notei que uma carreira sozinha não faz uma touca, mas o entrelaçamento cuidadoso do fio nos aquece.
Por fim, com o trabalho pronto, aprendi que há erros que apenas eu, que teci cada ponto daquele gorro, consigo notar. Outras falhas, somente os mais experientes conseguem identificar.
Eu decidi confeccioná-lo em um dia de muito frio. Ao terminá-lo, o sol brilhava e o calor nos aquecia. Se eu tivesse prestado atenção na lição da fábula da cigarra e da formiga, saberia que é durante o verão que devemos nos preparar para o inverno. 
Aos olhos da maioria é um simples gorro. Para mim, um processo, uma aprendizagem, uma conquista. Eu fiz um gorro de crochê e ao tecê-lo aprendi a viver.

0 fizeram a Carol feliz...:

Postar um comentário

Fala que eu te escuto!