terça-feira, 13 de agosto de 2013

Morreu Feliz

Hoje ao ler o jornal, como sempre por curiosidade, olhei o obituário. Entre muitas pessoas, entre João, José, Tereza e Soeli, morreu Feliz.
Teria ele realmente morrido alegre? Parecia-me muito novo para morrer com alegria. Apenas 54 anos. Será que tinha filhos, netos, esposa?
Imagino que ele tenha tido uma vida cheia de contradições. “Feliz está chateado hoje”, observaria sua mãe. “Feliz está doente”, diria a esposa ao ligar para o trabalho avisando que naquele dia ele não compareceria. “Feliz não anda bem”, falariam os amigos, prevendo alguma coisa. “Feliz não sabe o que é felicidade”, opinaria o confidente ao ouvi-lo reclamar. “Feliz não sorri”, reclamaria o cunhado. “Feliz é só tristeza”, cochichariam os vizinhos.
A vida de Feliz dependia sempre de uma vírgula. ‘Feliz não está bem’, com uma vírgula se tornaria ‘Feliz, não está bem’. E toda gente acharia que apesar de não estar bem o homem andava feliz.
De que será que ele morreu? Se alguém erra a frase dirá: “Feliz, morreu do coração”. E todos entenderiam que morreu de felicidade. Morreu Feliz. Feliz morreu. De toda forma que se diga, a morte de Feliz é sempre poética. Penso que são poucos os que morrem felizes.
Imagino que em seu velório ninguém tenha chorado, pois, morreu Feliz. Choraríamos todos se morresse a felicidade, porque ainda que pouca, ela é indispensável em nossas vidas.
Talvez Feliz tenha morrido irritado porque ninguém consegue ser feliz o tempo todo.

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À família de Feliz, meus sinceros sentimentos. Esse texto não é de forma alguma um desrespeito, mas é que na mente de quem ama as palavras, a morte de uma pessoa chamada Feliz causa pura inspiração.

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