Sinos tocando, crianças cantando, decoração vermelha, luzes piscando. Um mundo cheio de paz. Este não é o Natal que vejo com meus olhos.
Vejo crianças chorando, pedindo brinquedos, sendo irritantes. Luzes de muito mau gosto penduradas em casas e vitrines, piscando descompassadamente. Um velho gordo e suado numa roupa feita para a neve dá balas para as crianças, que acreditam mesmo que um ser de roupa vermelha pode atender seus pedidos.
Não é mau humor, nem qualquer tipo de trauma relacionado ao Natal. Mas acho que as luzes são bregas e ponto final.
Para complementar meu espírito super-mega-ultra-natalino, Papai Noel me cantou. E, destaco, não foi Ho Ho Ho...
Eu estava passando por uma loja que fez uma espécie de corredor decorado para o (suposto) Bom Velhinho. Eu ia para o trabalho, era final da tarde. Estava chovendo e fazia um frio de inverno em pleno dezembro. A rua estava vazia e os vendedores lamentando o tal horário de Natal, pois não se via um cliente nas lojas abertas até tarde.

O local estava bonito, bem ornamentado da outra vez que passei. Então, olhei para ver como estaria naquele dia. Então, o gordo solitário no balanço olha para mim e diz: “Venha aqui, venha”. Eu me certifiquei de que não havia nenhuma criança em volta e que eu não estaria cometendo uma injustiça. Realmente, eu sou uma pessoa justa e não havia sinal de criança perto de mim. Papai Noel estava me cantando. “É o fim!”, pensei eu, fazendo aquela cara de quem ouviu um absurdo. Estava tão atrasada, mas ainda assim não me perdoo. Eu deveria ter parado e chutado o saco – não o de brinquedos – daquele velho tarado.