quarta-feira, 7 de abril de 2010

Epitáfio IV

Viciada em chocolate e café,
Pegou um doce e deu no pé
Vai sobrar no mundo cafeína,
Pois num grande desastre
Morreu a velha Carolina

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Amor e coelho da Páscoa, você acredita?

Semana passada ouvi crianças falando sobre o coelho da Páscoa. Com cerca de 7 anos, todos tinham dúvidas sobre a sua existência. Peguei algumas frases soltas:

Pois é, eu não entendo... Se tem coelho, por que vendem ovos no mercado?

Eu não sei, mas acho que os ovos comprados são pra gente grande, sabe? Aquelas que não ganham mais do coelho...

E com quantos anos será que é a gente que tem que comprar?

Minha prima falou que é a mãe que coloca os ovos. Mas eu não sei se eu acredito porque a mãe não deixa eu comer chocolate...

Mas será que o ovo é o coco do coelho?


Hoje eu estava pensando sobre o amor, o 'verdadeiro amor'. E fiquei na mesma situação que as crianças. Será mesmo que ele existe? Tomara que eu e as crianças não cheguemos à mesma conclusão!

domingo, 4 de abril de 2010

Afora a flor, não existe amor perfeito

Ela queria falar, mas era preciso estar junto para estravasar. Eles nunca mais se viram. Os hematomas já haviam desaparecido, bem como o perfume, a marca. Ficou a saudade. Um dia ele falou que se ela escrevesse para ele, ao ler ele saberia. Nem sequer tinha certeza de que ainda estava viva em sua vida, de que ele olharia para sua sopa de letrinhas, mas resolveu tentar.
Ouviu a música e pensou que palavras que não lhe pertenciam falavam de sentimentos que faziam parte dela. Nunca gostou de sofrimento. Achou triste ter que admitir que se era assim, tudo bem, partiria para outra. Em alguns momentos é preciso ter coragem e ser mulher para buscar o novo. "O amor é puro sentimentalismo, mas é possível ser racional", pensou.
"Você está me dando um fora?", ele reagiu, depois de dias sem um sinal. "Não. Você me deu um fora. Eu estou apenas aceitando-o", ela respondeu.
Com tristeza ela lhe devolveu o que ele deixara para que ele não tivesse outro motivo para voltar senão ela, senão a sua companhia, senão o seu desejo. Não disse, mas pensou que se um dia ele quiser voltar, abriria a porta com o mesmo sorriso, tentariam de outro jeito, pois, afora a flor, não existe amor perfeito.

Afora a flor

Fiz uma surpresa pra você
Mas acho que você não se agradou
Tentei mais de uma vez e você nem ligou
Será que o nosso fogo apagou?
Fiz um novo penteado e você nem notou
Passou direto
Fiz seu doce predileto
E dele você nem provou
Desanimei parei de tentar
Mas nem assim você me nota
Acho mesmo que você não se importa
Tudo bem
Se é assim que tem que ser meu bem
Parto pra outra não vou me importar
Se de repente a gente se cruzar
Na rua e conversar
Tá feito
E se você quiser quiser tentar
Vamos tentar fazer de outro jeito
Afora a flor
Meu amor ô ô ô
Não existe amor perfeito

Música de Regina Souza e Zeca Baleiro, com autores assim, só poderia ser linda.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Classificado e Confissão à Damasius

Procura-se um homem xarope e com mão boa.
Atribuições: curar minha gripe e meu torcicolo.

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Confissão à Damasius (à moda de Damasius, com crase... "Confissão em uma linha" e não para Damasius)

Confesso, nesta Páscoa, sou muito mais o coelho do que os chocolates...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Epitáfio III - Boneca namoradeira



Nem toda Carolina é namoradeira
Mas toda boneca namoradeira é Carolina

Aqui jaz Carolina,
Que namorados teve poucos
Mas como uma boneca nordestina,
Passou a vida debruçada na janela a contemplar
Com um olhar à Monalisa,
Ninguém sabe o que a fazia ficar
Sorrindo em sua janela,
Nem viu o tempo passar.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Presente no dia da mulher?

Não quero ser mulher homenageada, não quero ganhar presente.

Não quero rosas cultivadas sem amor.

Quero ser mulher presente...

Presente para fazer as mudanças nas quais eu acredito, presente na vida de quem é importante para mim, presente nos sonhos de quem sonha comigo.

terça-feira, 2 de março de 2010

Uma pedra, uma gota, uma vida

No meio do caminho havia uma pedra.

Hoje ela compreendeu o poema. Tinha muito trabalho a fazer. Colocou uma música clássica porque nada mais a agradava. Qualquer palavra interrompia o fluxo dos seus pensamentos. Entretanto, só conseguia prestar atenção na torneira que não fora bem fechada e pingava insistentemente. Então, ela pensou no caminho. Percebeu que por mais belo que ele fosse perdeu-se quando o poeta visualiou a pedra.

Surpreendeu-se, então, com a vida. Pareceu-lhe inédita a visão de que por muitas vezes deixou de lado os violinos e o caminho para ouvir gotas e vislumbrar as pedras.