Meu amor está em poemas ainda não escritos, em versos escondidos de mim mesma, em sonhos que ainda não viraram realidade. Procuro ser gentil, sorrir e alegrar, afinal, não sei quem te conhece e quero que sempre ouça coisas boas sobre mim. Não o amo em cenários de pôr-do-sol. Eu o amo no dia a dia, na meia rasgada, na olheira, no cabelo oleoso. Faz parte de mim o verbo amar. Eu o amo quando quero ficar bonita. Eu o amo quando acordo e faço tudo o que programei, sempre esperando que algo me surpreenda e mude o rumo do meu dia. Eu o amo quando penso em seus defeitos e em tudo aquilo que eu jurava nunca suportar. Eu o amo quando cultivo o bom humor. Eu o amo quando penso no presente que vou lhe dar. Eu o amo quando ouço uma música que me faz pensar em nosso amor. Eu o amo quando leio poesia. Eu o amo como ama a princesa ao seu príncipe, feliz para sempre, até que se feche o livro. Eu o amo quando suspiro nos filmes de finais felizes e quando sinto vontade de chorar se a mocinha não se dá tão bem assim. Eu o amo quando choro de saudades de tudo aquilo que não vivi. Eu o amo quando reconheço que aquele que veio antes não era amor. Eu o amo ainda sem o conhecer. Sorrio ao caminhar. Canto, pareço feliz. Afinal, até que chegue o momento, nunca saberemos - eu e ele - onde vamos nos encontrar. Por isso, é preciso estar preparada, perfumada, sorridente. Eu o amo com a alegria de quem já conhece o amor por ter certeza de que um dia ele será real. Eu o amo no presente, embora ainda sejamos futuro. Feliz dia dos namorados!
* Mais uma postagem coletiva para o Espaço Aberto.
Por falta de qualificação e procura, sobram vagas para o cargo de namorado em todas as cidades do país. Estima-se que em todo o mundo o número de vagas seja correspondente a aproximadamente 30% da população feminina acima de 25 anos. O que mais surpreende é que essa profissão não exige experiência, basta ter amor, gostar do que faz e investir um pouco de tempo. O retorno em carícias, beijos e noites inesquecíveis é garantido. As mulheres com vagas em aberto são, em sua maioria, lindas, independentes e inteligentes. Elas não selecionam pela beleza - os feios competem em nível de igualdade, desde que sejam legais. Um dos problemas que mantém os índices de solteirice tão altos pode ser o excesso de qualificação, que além de assustar os candidatos que não possuem atitude, tornam o processo mais longo e por vezes doloroso. Elas não exigem conhecimento de política, mas não dispensam bom gosto para cinema, literatura e camisas. Elas gostam de futebol, bebem cerveja, dividem a conta e diferenciam sexo e amor. Se necessário, falam palavrão. Os interessados não devem enviar currículo. O processo seletivo é totalmente baseado na personalidade dos candidatos que terão todas as oportunidades necessárias para mostrá-las. Entretanto, uma oportunidade dispensada pode significar eliminação imediata. Um olhar, sorriso e bom papo são indispensáveis para o início da seleção. Atitude, criatividade, perfume marcante e não enjoativo são considerados diferenciais.
*** Texto inspirado nos últimos posts das amigas Paulinha, Carol, Déia e Larissa...
O alto das árvores perde a cor Para pintar o chão Com a beleza morta das folhas De uma natureza viva
Quatro estações, Mais um ano igual Frio, vento, chuva e, enfim, verão Mas a flor não é a mesma Caíram as folhas, mudaram as pétalas, A cor, a essência
No outono da alma, a estação pouco importa Vem primavera, chegam as flores Mas para a alma em outono, Não há amores Sentimento desfolhado e sem beleza No outono da alma, Tudo é tristeza
*Esta postagem faz parte da iniciativa Espaço Aberto - http://um-blog-para-todos.blogspot.com/ - que propôs o tema "outono" para todos os blogueiros participantes neste dia 30.
Semana passada ouvi crianças falando sobre o coelho da Páscoa. Com cerca de 7 anos, todos tinham dúvidas sobre a sua existência. Peguei algumas frases soltas:
Pois é, eu não entendo... Se tem coelho, por que vendem ovos no mercado?
Eu não sei, mas acho que os ovos comprados são pra gente grande, sabe? Aquelas que não ganham mais do coelho...
E com quantos anos será que é a gente que tem que comprar?
Minha prima falou que é a mãe que coloca os ovos. Mas eu não sei se eu acredito porque a mãe não deixa eu comer chocolate...
Mas será que o ovo é o coco do coelho?
Hoje eu estava pensando sobre o amor, o 'verdadeiro amor'. E fiquei na mesma situação que as crianças. Será mesmo que ele existe? Tomara que eu e as crianças não cheguemos à mesma conclusão!
Hoje sonhei que conversava com Fernando Pessoa! Eu estava no ônibus e ele sentou-se ao meu lado. Contei a ele que gostava de suas poesias porque elas tinham ponto final, porque soavam definitivas.
Quando lembrei do sonho fui direto a um livro dele. Gostei tanto do que vi:
Uma vez amei, julguei que me amariam, Mas não fui amado. Não fui amado pela única grande razão - Porque não tinha que ser.
Consolei-me voltando ao sol e à chuva, E sentando-me outra vez à porta de casa. Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados Como para os que o não são. Sentir é estar distraído.
Fernando Pessoa é definitivamente definitivo! A sabedoria em aceitar o que é para ser ou não. Quantas vezes queremos entender o porquê das coisas e passamos horas pensando nisso? Quando, na verdade, para o amor, para ser amado, não há explicação. Simplesmente ama-se ou não. E quando o final de um relacionamento vem, temos a impressão de que o mundo está menos colorido. Porém, os campos são tão verdes para os que são amados quanto para os que não são. Tudo uma questão de percepção! Então, baby, seja lá como for, voltemos ao sol e à chuva!
"Ora essa, sou uma mulher simples e sofisticada. Misto de camponesa e estrela no céu.Depois que aprendi em mim mesma como se pensa, nunca mais consegui acreditar no que pensam os outros.Sou desorientada na vida, na arte, no tempo e no espaço.Eu vivo de teimosa que sou.Economizo quanto posso para o dinheiro dar. Sou inocente e ignorante. Ter nascido me estragou a saúde. Eu sou uma pergunta..."
(Adaptado de vários textos de Clarice Lispector)