Ontem assisti a este documentário, Borboletas de Zagorsk, produzido pela BBC em 1992. Não vou repetir o que muitos diriam sobre o assunto, sobre como temos tudo e ainda assim reclamamos. Isto é obvio demais.
Antes de prosseguir, coloco o questionamento que me levou a assisti-lo e gostaria que você pensasse sobre isso: Crianças surdas e cegas, que nasceram assim ou ficaram com tais deficiências devido a alguma doença podem se comunicar? Elas têm alguma possibilidade de se transformarem em adultos com capacidades intelectuais, sociais e físicas totalmente desenvolvidas?
Eu respondi que não e minhas orelhas de burro estão arrastando no chão até agora. É impressionante a 'não-limitação' humana para aprender e se adaptar. Mais do que isso, é incrível a capacidade do ser humano em acreditar e realizar o impossível.
O documentário mostra como os professores russos ensinam alunos com as deficiências que citei, associadas - em alguns casos - a retardos mentais. Estes professores acreditam que toda criança tem direito a educação e tem plenas possibilidades. Para a minha surpresa, a personagem principal do documentário perdeu a visão e audição com 9 anos de idade. Ela é filosofa, psicóloga, mãe e esposa. Escreve poemas com vocabulário muito mais vasto do que o meu.
Enfim, é um dos fatos mais impressionantes que vi. Ainda, minhas orelhas de burro não me deixam compreender como uma pessoa que nunca teve acesso a qualquer outro tipo de comunicação consegue dar sentido a pequenos movimentos de mão, fazendo com que cada um tenha um significado, tornando-a capaz de se comunicar plenamente.
Na minha ignorância, eu imaginava que estas pessoas eram condenadas a uma vida inativa. Que eram alimentadas e limpas diariamente, sem outros horizontes. Pobre de mim que não tenho a capacidade de acreditar no impossível!
Termino com uma frase citada no documentário, que é o lema dos professores deste instituto. Ela diz mais ou menos assim: Qualquer aluno pode aprender, basta encontrar o método certo.
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