segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Uma perereca sobrando...

Acordei cedo e fui escovar os dentes. Tudo calmamente até eu perceber que havia uma perereca no banheiro e (Barbaridade!) não era a minha! Não se faz isso com uma mulher numa segunda-feira de manhã. I freaked out. Não há palavras em português para descrever. Para quem gritar às 6h da manhã?

Só sei dizer que meu mundo hoje está um tanto lésbico, pois vejo pererecas em todo lugar. Qualquer mancha no chão vira uma criatura assustadora.

Eu gritei, tremi e só não chorei para não perder o controle. Perdi a voz. Fiquei sem saber o que fazer. Então lembrei de outra vez que uma apareceu por aqui e meu pai (Graças a Deus!) estava por perto. Tentou pegá-la com as mãos e não conseguiu. Então, calmamente achou um vidro velho de maionese, colocou em cima dela, passou um papel por baixo e levou a bichinha para longe.

A possibilidade de pegá-la com as mãos nem passou pela minha mente. Arrepio só de pensar nisso. Então encontrei o potinho transparente que guardava o sabão na pia da cozinha. Se minha vida fosse um filme, seria uma daquelas cenas de chorar de rir, de comentar mais tarde com os amigos.

Eu tentava colocar o pote em cima dela, mas é lógico que ela não se rendia. Ela pulava, eu pulava e gritava. Uma hora quase encostou em mim, já pensou? Eu morreria ali mesmo! A gosma verde pulava desesperada e eu mais desesperada ainda. Achei que meu coração ia sair saltitando junto com ela. Quando vi que o pote não estava dando certo, tentei jogar um tapete na bichinha. Mas é lógico que a mira não ajuda quando estamos tremendo.

Até que enfim consegui prender a feiosa debaixo do pote. Então peguei o rodo e com toda a minha força, como se fosse pererecamente possível ela levantar o pote, fui empurrando a sem vergonha porta afora. Faltando uns dois metros para terminar o percurso, a preguiçosa cansou. Acho que machuquei a sua perna, deve ter ficado manca, pois parou de pular.

A gosmentinha deixou o chão úmido por onde passou e meu estômago embrulhado pelo resto do dia. Peguei um pano velho, muito desinfetante e fui refazendo nossa rota. Depois exorcizei o pote e o pano, coloquei numa sacola e joguei fora. Agora há pouco uma mosca apareceu de repente ao meu lado. Me assustei como se fosse um dragão.

Aquela perereca é abusada. Imagine o trabalho que teve para subir a parede e entrar pela janela? Acho que essa não volta mais, estamos as duas muito assustadas. Mas, ainda assim, mudei meus conceitos, descobri que preciso casar. É indispensável ter um caçador de pererecas em casa na segunda-feira cedo. Talvez eu precise passar por um tratamento pós-traumático. Talvez alguém me peça em casamento e eu aceite. Ele vai pensar que é por causa dos seus dotes, que recebem outro nome do mundo animal, mas nós saberemos que o problema mesmo é a perereca.

domingo, 17 de outubro de 2010

Testamento - meus últimos desejos

Eu, Carolina Filipaki, me encontrando no meu perfeito juízo e entendimento (há quem discorde), coagida pela Damaris que me citou em seu testamento virtual e por isso tive que fazer o meu, testemunho minha última vontade, pedindo à Justiça de meu país que o faça cumprir.

Espero que quando eu morra, o bem mais valioso que eu deixe na terra seja a saudade.

Para a Damaris deixo os meus diários. Eu nunca imaginei alguém os lendo. Mas ela entende tanto os meus textos que poderia compartilhar com ela meus amores não vividos, as lágrimas que chorei e poesias que arrisquei. Veja bem o que fará com eles! Deixo também a ela as cartas que recebi ao longo da vida e ainda tenho guardadas. Não trazem notícias extraordinárias, nem mesmo declarações de amor, mas fazem parte do meu tesouro sem valor.

Para as meninas da Eli deixo minhas bonecas e ursos. Só a Talassa e a Lilith não dou a ninguém. Ficarão para sempre enfeitando a minha cama. A boneca pequenininha com o rosto cor-de-rosa de tanta maquiagem gostaria de dar à madrinha, pois foi ela quem me deu num Natal chuvoso, quando ainda morávamos na mesma rua.

Para o meu afilhado deixo minha bike. É cor-de-rosa, eu sei. Mas basta pintar. Eu a adoro e sei que poderá se divertir com ela.

O laptop fica com meu pai. Meus perfumes com a mãe. Os sapatos vão para quem precisar. As roupas também. Aproveito para lembrar que quero ser enterrada de pijama, de meia e descalça. Se possível, coberta com a minha mantinha vermelha. Não há no mundo roupa que eu mais goste.

Os dólares e dinheiro da Tailândia e Itália que estão na minha carteira também ficam com o pai. Só não garanto que lhe tragam sorte, pois às vezes eles são tudo o que tenho na minha carteira.

Os meus sonhos deixo a quem puder realizá-los. Entre outros, gostaria de conhecer a Austrália, morar um tempo na Europa e saltar de paraquedas.

Os meus livros deixo para quem quiser ler, só peço que os tratem bem. ‘A vida sexual da mulher feia’ eu gostaria que fosse queimado. Não tenho coragem para fazê-lo, mas ele é muito ruim, não merece ser lido. Se puder levar um livro comigo gostaria que fosse ‘A vida que ninguém vê’, pois a autora é a jornalista que eu sempre sonhei em ser.

Meus brincos, colares e bijus ficam com a Andressa. Dos que ela não gostar, ela que se vire em se livrar. Ela também deve escolher para quem dar meus cachecóis e lenços. A bolsa de elefantinho deve ficar com com ela e pode até escolher mais alguma que goste.

Meu amor-amizade deixo a muitas pessoas. À Mari, a primeira amiga da qual eu tenho recordação. Pam, Jana, Dani Dalcomune, Damaris, Michele Mitsue, Ligia, Simon Lee, Maria Raquelly, Nilce, Tati, Diangela, Osman, Diego, Elediane, Leandrinho, Fábio... A lista é imensa e o sentimento é infinito por cada um que faz parte dela.

Para E. deixo o meu amor-intelectual. É com ele que gosto de conversar. Talvez deixe também alguns livros. Para C. deixo o meu amor-desejo, que me arrepia só de pensar. Para A., deixo um amor-olho-no-olho, como aquele da fotografia, que eu desejava que fosse mais duradouro.

Já que publiquei meu testamento antes da morte, faço um pedido a Deus. Se o Senhor lê mesmo pensamentos sabe que ando pensando muito, inclusive sobre Você. E sei que a maior parte destes pensamentos não deve agradá-lo. Sei que dos 10 mandamentos, só não mato nem roubo, porém, vou me arriscar num último pedido. Não me deixe morrer sem viver um grande amor. Mas eu não quero um amor unilateral, como estes que citei aí em cima. Quero ser amada. Quero alguém que pense em mim. Alguém que queira me agradar. Alguém que me faça surpresas e desperte em mim a mesma vontade. Um amor que seja aqueles três em um só.

Os outros bens - com tão pouco valor financeiro quanto os já citados - podem ser divididos entre aqueles que se interessarem. Se você admira algo que eu tenho, aproveite o momento e peça, afinal, enquanto eu viver, ainda há tempo para um adendo ao testamento.

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PS: Os citados no testamento devem escrever também o seu. Não me matem por isso, quem criou a regra foi a Damasius!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Dedique uma canção a quem você ama

A Rádio Atividade leva até vocês
Mais um programa da série
"Dedique uma canção a quem você ama"


“Eu insisto em cantar diferente do que ouvi”.

Essa frase é do Oswaldo Montenegro, mas poderia ser da minha mãe, ou ao menos inspirada nela.

Ela adora cantar. Quando o karaokê foi instalado em casa, eu ligava e a ‘véia’ estava rouca de tanto espantar os males. O melhor de tudo é que ela erra mesmo lendo!

Um dia ela estava lavando a louça e cantando uma música do Felipe Dylon (a qual eu me recuso a comentar). A letra originalmente dizia: “O menina deixa disso quero te conhecer, vê se me dá uma chance, to a fim de você”. Então, minha irmã me chama para ouvir a letra que a mãe inventou e cantava a plenos pulmões: “O menina do subúrbio quero te convencer...”.

Num stand up, Danilo Gentili contou que a mãe dele também é assim. Um dia chegou em casa e ela estava cantando uma versão não aprovada pelo clero para a música do padre Marcelo. “Erguei as mãos e dá o fora Deus...”, cantava a mãe dele.

Uma amiga conta a história da vizinha que tinha o português invejável e um gosto musical peculiar, a qual cantava, ‘A lenda dessa paixão’, de Sandy e Junior. Ela dizia: “Se alembra dessa paixão?”.

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Quando vi o tema da postagem coletiva não pude deixar de contar essa história. Pena que fui enviar às 23h47, mas a postagem já estava encerrada... Enfim, fica o relato!

domingo, 26 de setembro de 2010

Se eu soubesse...

Outro dia me acidentei de carro. Não me machuquei, nem minha irmã. Pela inconsequência de um idiota que ultrapassava numa curva, passei um susto enorme quando o bolo do meu aniversário, que tinha sido na véspera, ainda estava na geladeira. Deus deve ter achado esquisito nos matar assim, depois do parabéns.

Eram 11h da manhã. Uma manhã bonita, ensolarada, tranquila. Pista simples, sem acostamento... Quando lembro, imagino uma criança brincando de carrinho, desviando um do outro por milímetros. Lembro de passar retrovisor com retrovisor, depois de quase entrar embaixo do caminhão, descer o barranco e não acreditar que havia conseguido.
Tremi e chorei descontroladamente ao ver que minha irmã estava inteira e que nada de grave havia acontecido. O carro que provocou o acidente não parou. Seguiu fazendo cagada com medo de ter a placa anotada.

Depois do acidente vêm a série de pensamentos que começam com “E se...? ”

E se eu tivesse morrido? Eu morreria insatisfeita por não ter dito a um amigo que o que eu sinto é muito mais que amizade. Morreria com a sensação de que não fiz tudo no trabalho, com a minha família, com meus amigos.
E se minha irmã tivesse morrido? Nem consigo imaginar. Apesar de não ter sido minha a falta, me sentiria culpada para sempre.
E se nós duas tivéssemos morrido? Meus pais continuariam vivendo?
E se em vez de cair naquele lugar eu tivesse caído dois metros à frente, onde o barranco virava um buraco? O carro teria capotado? O cinto teria adiantado?
E se houvesse uma árvore na minha frente?
E se eu não tivesse conseguido desviar?
E se mais um carro estivesse atrás de mim?

Tantos “e se...” que só posso mesmo é comemorar porque nenhum deles aconteceu. Todas essas possibilidades me fazem perceber que a vida é uma só, que seriam muitas as dimensões necessárias para que seguíssemos todas as conseqüências de um ato.

Se eu soubesse que ia morrer hoje, ligaria para dizer o que sinto, perdoaria meus próprios erros.
Se eu soubesse que ia morrer hoje, sairia com os amigos, comeria sem remorso as coisas que mais gosto.
Se eu soubesse que ia morrer hoje, deixaria o trabalho sem fazer, a louça por lavar.
Se eu soubesse que ia morrer hoje, chamaria alguém para dançar.
Se eu soubesse que ia morrer hoje, usaria minha roupa mais bonita.

Pensei em tudo o que gostaria de fazer se eu soubesse que ia morrer hoje. Mas a gente sempre acha que ainda há tempo e adiamos encontros, decisões, confissões.

Tenho medo de não conseguir cumprir minhas metas antes de morrer. O que mais me assusta é que todos lamentariam, mas a vida segue. A vida segue e não seguiria, pois essa é a regra. Todos voltariam ao trabalho e talvez até rezassem por mim.

Mas a coragem de fazer o que eu faria se soubesse que ia morrer passou tão rápido.

Por isso estou em casa ouvindo a chuva. Por isso, não chamei ninguém para dançar. Por isso dispenso a sobremesa. Por isso lavarei a louça. Por isso adiarei um pouco mais tudo aquilo que eu não deveria deixar de fazer hoje.

Mas, confesso, adio com a consciência pesada, afinal, já disse o poeta, é preciso amar como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

À merda

No msn...

Você que tem um coração sensível vai me ouvir... Mandei à merda um cara que só me fazia mal... Hehe... Precisava compartilhar isso com alguém!

Coitada da merda, então!

A merda finalmente encontrou um verme! rs
Nossa, essa foi venenosa!


Kkkk
Fez bem
E num faça mais merda com a merda.


Estou umas vinte toneladas mais leve agora

Talvez ela num mereça a merda extra que mandou a ela...

Ahhh.... Homens! Sempre defendendo uns aos outros!rs

Não! Eu estava defendendo a merda merda mesmo... kkkkk

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

E se um olhar lhe bastasse?

Na embriaguez de andarmos juntos, no toque casual que seca a boca de admiração...Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença... (Clarice Lispector)

Além de roubar Clarice, desta vez assaltei Manoel Bandeira e Fernando Pessoa. Faço minhas as palavras deles, apesar da arrogância que isso possa aparentar. Mas é como diz o velho ditado, a quem mais amamos, menos sabemos falar, então, roubo palavras alheias, rimas de amor feitas para outrem. Mas, afinal,só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor são ridículas.


O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Mas é o teu espírito sutil

(Manoel Bandeira)

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ele,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ele adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que o estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..

(Fernando Pessoa)


domingo, 12 de setembro de 2010

Solidão

Olhei para trás e você não veio
Caminhei sem você
E você sem mim

Nós dois,
Um verso sem rima